Ser

Se soubesse as órbitas dos planetas de cor, se soubesse a temperatura da terra em cada parte do mundo, se soubesse todos os dialectos e tipos de comunicação, se soubesse todas as artes e talentos, se soubesse todas as histórias e lendas, se soubesse todas as constelações, se soubesse todas as cores, texturas, padrões, se soubesse todos os sentimentos, todas as emoções, quem seria eu?
Sei de cor os planetas, sei a temperatura de uma pequena parte do mundo, sei alguns dialectos e tipos de comunicação, sei pelo menos uma ou duas artes e um ou dois talentos, sei de histórias, sei de lendas, sei uma constelação, sei algumas cores, texturas e padrões, sei inúmeros sentimentos e emoções... e sou isso mesmo.

Viagem (mental)

Adoro ir no comboio a ouvir música e estar em todos os lugares menos ali.
Perto da janela vejo o mundo da cor que os meus olhos me proporcionam, ouço os timbres, as melodias, os sons que os meus ouvidos me dão, sinto o que o meu interior me faz sentir, estou ali e viajo para outras paragens, quilómetros de pensamentos invadem a minha mente e para as outras pessoas, eu estou apenas ali, a viajar de comboio.

Lados do Nada

Não sei se é falta de espaço de reflexão, não sei se é reflexão a mais... quem sabe sejam demasiados acontecimentos ou nenhuns marcantes, mas já faz tempo que não escrevo...
Acho que não me apeteceu dizer nada... ou então não tenho tido nada para dizer.

Hera

Heart and Mind



I write you letters from right to left
See if you have desire yet
To decipher what I said
And learn secrets from my head

It was hard for me to say
Those three words that are so brave
Almost kept them locked away
Deep inside where they’d be safe

Always trying to find
A safer place to hide

Always felt I
Was protecting my
Heart and mind
Heart and mind
But it seems like
To really feel alive
I cannot hide
My heart and mind

I don’t know why I get shy
Tucked away inside my mind
Scared to let someone inside
I sit silent in disguise

Always trying to find
A safer place to hide

Always felt I
Was protecting my
Heart and mind
Heart and mind
But it seems like
To really feel alive
I cannot hide
My heart and mind


Kina Grannis

Quanto vale uma amizade?



Se uma amizade vale tanto quanto a quantidade de momentos que passamos com a pessoa à qual a nossa relação tem esse nome, eu não lhe chamaria isso, mas antes, talvez, uma construção temporal com alguém. Quando definimos pessoas com quem queremos passar momentos diários, com quem queremos estar, falar, reflectir, chorar, sorrir, abraçar, discutir, (...) é tanta a complementaridade existente que penso que, só por isso, a pessoa deve ser "especial". Não falo de amizade, quando digo bom dia ou bom tarde a alguém, não falo de amizade quando falo com alguém diariamente (ou quase) na Internet acerca de assuntos do dia-a-dia, de acontecimentos sociais e de tudo, menos de mim, menos dessa pessoa. Amizade, é tão mais do que isso, que andamos tão distantes dela e pensamos estar tão perto.. É comum nomear-se ou acrescentar-se um "melhor" antes de um amigo ou de uma amiga, apenas e só, porque nalgum momento mais, ou menos feliz, esse tal, esteve presente pessoal ou virtualmente. Noutro cenário, o mesmo acontece, apenas e só, porque parece que se dão lindamente, não se chateiam e, aparentemente, de forma "insubstituível" parecem compreender-se especial e mutuamente.
O que é que separa o "melhor" de um apenas e só "amigo(a)?
Qual é a hierarquia (se é que a há) da amizade?
Intimamente, a amizade que se vai construindo, necessita (tal como tudo na vida) de ser alimentada de respeito, de confiança, de carinho, de compreensão, de solidariedade, de vontade e de muitos outros "ingredientes" para a poder manter e fazer sentir... e sem qualquer nível hierárquico, uma amizade deve ter sempre esse valor. Afinal, com todos estes "ingredientes" quanto vale uma amizade?

Cã(m)O(r)


- Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.
Milan Kundera

Tudo o que me move...

São pessoas que têm uma enorme carga sentimental, afectiva e emocional em mim
São sentimentos que me proporcionam impactos, onde me descubro a mim mesma
São emoções que expressam o meu interior
São momentos que se distinguem, por serem painéis desenhados com ou sem frequência
São músicas que me fazem dançar numa visão intacta
Tudo o que me move, é tudo o que eu posso alcançar!

Identidade e Essência

Somos tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo, que não nos conseguimos conhecer, nem a nós próprios, nem aos outros. Pelo menos, não conseguimos ter a certeza da verdadeira essência, da verdadeira identidade..
Somos Seres em mudança, em evolução, com "anexos" emotivos, afectivos, intelectuais, culturais, motivacionais... e todos os que faltam preencher!
Não que isto seja novo para alguém, mas convém relembrar...

Fantasia

Envolvida na melodia até recrio a história, heroína, personagem de um conto de fadas, fantasia. Quantas vezes nos vemos a incorporar figuras das histórias infantis? Quantas vezes voltamos a ver a cassete onde "viveram felizes para sempre" ? Personagens infinitas que temos infinitamente dentro de nós!

(Entre)olhares

Vejo com os meus olhos coisas exteriores e interiores que outros não alcançam. Entre olhares sublimes imagino como será ver com os meus olhos e ser vista por outros, que não os meus.

YinYang de Vontade

Se pudesse mostrar-vos como me sinto agora, usava-vos como uma lupa para o meu interior. Sinto um misto de desatino e de ebulição com uma sensação de conquista, de realização e de paz interior. Sou o Yin sou o Yang, sou uma onda grande e potente e recheada de sal, sou um mar calmo sem ondas. Só consigo ter esses dois extremos, não conheço mais nenhum. Consigo sentir profundamente que um lado prevalece, sinto-me como se tivesse força para acabar com todas as roupas sujas e velhas que nunca desaparecem e que pior, vão aparecendo e que já nos estão tão curtas que não nos servem no corpo, já estão tão sujas que não há lavagem que retire tanta sujidade. Não só sinto como consigo. Sinto-me tão bem comigo mesma (em intervalos de ondulações de dúvida e de indecisão). Hoje, neste preciso momento, consigo garantir que somos mais do que pensamos, que conseguimos sentir o que queremos, conseguimos estar em paz interior independentemente de tudo o que nos possa atormentar, claro que estas sensações se vão construindo e são sempre influenciadas por vontades, por acontecimentos, por momentos de coragem e de forças altivas e tão fortes que derrubam qualquer música de rock pesado. Sinto-me leve e tão pesada que não encontro algo no meio. Porque o meio sou eu, e sou eu que consigo pendular para a fortaleza ou para a fraqueza, só eu que decido onde me apetece estar, se quiser estar triste e melancólica estou, se quiser estar no auge da alegria e cheia de força, de esperança e de vontade, só eu me posso impedir. Pelo menos consigo ser tão completa como o "todo" deve ser... e consigo escolher, tudo é influenciado pela vontade e vontade, nem imaginam a que tenho!

A culpa foi da viagem às Caraíbas! - Daqui vos mando um postal




Olá, estou nas Caraíbas e daqui vos mando um postal!!

Já lá vai um mês (quase) desde que o ecrã do meu humilde computador teve acesso a esta página. Desde esse período até hoje, estive (imensamente) ocupada a pisar areia fina, a sentir água límpida com uma temperatura, assim para o quentinha, a "levar com umas sombras" proporcionadas pelas maravilhosas (e grandes) palmeiras e (quase) o melhor de tudo, a observar aquela paisagem que me fazia sorrir tanto, mas tanto, que os dentes já quase pediam por favor, para ficarem escondidos dentro da boca.
Foi tão bom aquele tempo, eu acordava (nem vos digo como, porque aquela cama era como uma nuvem e é melhor não entrar em pormenores porque corro o risco de incutir inveja nas pessoas (e isso não pode ser). Ora bem, dizia eu que acordava, com aquele "cheirinho" a ilha paradisíaca (lá para os lados das Caraíbas), ia beber uma bebida (acho que era qualquer coisinha de Manga e Côco, hmmm... fresquinha e doce (irresistível), e corria durante uns minutinhos por aquele local de sonho e enquanto fazia exercício físico, contemplava a paisagem linda.
Depois, dava uns mergulhos (aiiiii que mergulhos) naquela água límpida e com temperatura, assim para o quentinha, (como já referi) e ia para a espreguiçadeira deitar-me ao sol. Ouvia música no meu mp4 e entrava noutra dimensão.
Aconteciam mais umas coisinhas durante o dia, que prefiro que não mencionar porque senão corro um risco (ainda maior) de incutir (ainda mais) inveja (e isso não pode mesmo ser). Ainda tinha tempo para umas massagens (delirantes)que relaxam até o corpo mais irrequieto e nervoso.
À noite, aliás, nas noites quentes, lá estava eu ( e mais umas quantas pessoas) naquelas festas, junto da fogueira, bem pertinho da água límpida e com uma temperatura, assim para o quentinha (como sabem, porque já referi) e tocávamos viola e cantávamos todas as canções que nos lembrássemos. A noite ia passando e conversávamos, riamos, dávamos uns mergulhos naquela água límpida e com uma temperatura, assim para ... (vocês sabem). Acabámos por adormecer ali mesmo, num colchão de água e de manhã, mais um grande dia começava. E foi nestes dias que não consegui (e peço imensa desculpa desde já) vir ao blog ver as maravilhosas surpresas que me deixavam e os maravilhosos post's que faziam. Prometo, que para a próxima levo o portátil! E volto a repetir: A culpa foi da viagem às Caraíbas!
P.S - Não apareço na foto porque fui eu que a tirei, não posso por isso, comprovar que fui às Caraíbas (e escusam de ir ao google procura-la porque não se encontra nas imagens). Os desenhos foi um menino que fez, penso que será o sol, as nuvens e a areia. (Na verdade fui eu, mas como vêm, não sou uma artista)!

Ora bem, passemos então para a verdade, aquela nua e crua que agora podia ser outra, mas não, não é! Na verdade, a culpa foi dos trabalhos, foi das frequências e dos exames, foi da minha preguiça (ai malandra) e da minha falta de inspiração, que como é natural, com tantos trabalhos, frequências e exames, qualquer inspiração por mais inspirada que seja, hiberna durante uns tempos.
Ainda assim, deixo aqui a promessa (e o que eu prometo, eu cumpro - e não sigo os passos de muitos políticos, ahaha, esta agora foi arrogante) de que vou tirar uma tarde inteirinha, permitir que o ecrã do meu humildade computador tenha acesso às páginas dos vossos blog's e ler atentamente todos os vossos post's que ainda não tive a oportunidade de ler.
Verdade seja dita: a culpa não foi da viagem às Caraíbas, tomara eu que fosse!

Vou aproveitar, visto que cheguei da viagem às Caraíbas ( a fingir vá), e estou contente (a sério) deixo um Obrigado e um beijinho à Sandytah, ao Adão (pelas honras que me proporcionaram nos vossos blogues) à minha querida Madrinha (por me deixar comunicar com a Sweety) e ao Borga, não era para deixar nada, porque ele ainda tem mais falta de inspiração que eu e já à um ano que não escreve mas, como não gosto de discriminar ninguém, deixo também. Posso deixar a mais alguém, mas depois corria o risco (e já seriam riscos a mais) de ser considerada uma mãos largas, por isso, se alguém ficar de fora, para a próxima, pode ter a certeza, que ficará dentro. (er... lol).

Inconsciente vento passado

O dia aparece como um brisa quente que abafa todo o corpo, invadindo a alma como uma flecha que não magoa, que não fere mas que se prende. Faz palpitar corações despedaçados, corações mundanos, corações frios, corações quentes, corações intermédios, corações apaixonados, todo o tipo de corações. Faz levitar almas entristecidas, almas reluzentes, almas leves, almas pesadas, almas sentidas, almas amadas. E no final do dia, sem sabermos porquê, sonhamos com "elementos" (quase) desaparecidos no nosso consciente. A noite aparece como uma brisa fria que refresca todo o corpo, invadindo a alma como uma flecha que pode magoar, que pode ferir mas que não se prende. Faz palpitar corações e levitar almas. O consciente do dia dá lugar ao inconsciente da noite, trazendo breves brisas que já nos invadiram o corpo e alma noutros tempos, recordando brisas quentes e frias, através do inconsciente, do inconsciente vento passado.

Poder(osa) da Música


Adoro música e a sua presença é tão importante na minha vida que com toda a certeza não me imagino a viver sem ela. Aliás, penso que nenhum de nós o conseguiria. Seja de que forma for, a música está sempre presente em cada um nós. Até hoje, não conheci ninguém que não gostasse de música e duvido que venha a conhecer alguém com essa característica. Assim sendo, achei importante reflectir sobre os poderes e a influência que a música pode exercer sobre nós e não só.
A música é um meio tão poderoso que tem efeitos bastante profundos (negativa e positivamente) em todos os seres vivos. E repito: seres vivos!
A melodia, o som, o ritmo, tão diversificados e de diferentes géneros musicais conseguem penetrar profundamente nos nossos ouvidos e tão intimamente na nossa alma, que provocam o eco intensivo em todo o nosso Ser, seja qual for o estilo musical, sejam quais forem os instrumentos utilizados para produzir um som, e não é só de agora, é desde sempre.
Conhecida mundialmente, a música é tão abrangente que pode ser um meio de comunicação, de expressão, de libertação, de relaxamento, de reflexão, de crescimento, invadindo espaços e tempos, corpo e alma.
Fiz uma pequena pesquisa relativamente ao Poder da Música e eis o que encontrei:

Falar no "poder da música" não é nenhuma novidade, mas poucas pessoas sabem realmente do que música é capaz. Além de divertir, relaxar, acalmar, excitar e até mesmo educar e curar, os efeitos da música sobre o ser humano são incríveis. Aliás, não só em seres humanos, mas (...) experiências com plantas e animais, também mostraram resultados espantosos, como alterações no crescimento, desenvolvimento e comportamento dos mesmos.
(...) A música afecta todas as partes do corpo. O som age directamente sobre o organismo, sendo absorvido pelas células e órgãos e indirectamente por meio das emoções que interferem nos processos orgânicos.
O organismo vai reagir de acordo com a origem das vibrações e características do som. Assim, a música vai actuar no corpo e despertar emoções, podendo aumentar ou equilibrar o metabolismo, aumentar ou diminuir a energia muscular, acelerar a respiração ou diminuir a sua regularidade, causar mudanças no volume, pulsação e pressão do sangue, interferir na receptividade sensorial, minimizar os efeitos da fadiga, acalmar ou levar à excitação. (...) age nas secreções, na digestão e nas redes neurológicas. (...)
E isto não é tudo, (...) existe muito mais a ser descoberto sobre a música (...)"


Fonte:
http://trombeta.cafemusic.com.br/trombeta.cfm?CodigoMateria=1158

Intimidades

Consigo lembrar-me da cor da pele
Sei de cor o seu aroma, o seu odor
Lembro-me do seu toque, do seu sabor
Ainda sinto a sua frescura, o seu calor

Conheço o seu tom, o seu timbre
Ainda ouço a sua voz baixinho, sublime
Sei de cor o seu brilho, o seu contraste
Relembro em pormenor cada pedaço, cada toque suave
Sinto o nosso vento, a nossa chuva
Sei de cor o nosso tempo, a nossa desventura
Conheço o nosso banco, o nosso chão
Ainda sinto o cheiro da ternura, da paixão

Intimidades
Fomos nós
Intimidades
Estamos a sós

Intimidades
Que o vento levou
Intimidades
Que o sol aproximou

São intimidades
Suaves, bruscas, frias, quentes
Oh são intimidades, intimidades…

Sei de cor alguns segredos
Que a tua voz me contou
Conheço ainda, as pegadas
Que a tua respiração deixou

Ainda consigo olhar a Lua
Pensar em mim, pensar na sua luxúria
Sem ti, conheço o caminho por entre as estradas
Sei de cor, cada trilho, entre curvas, entre rectas
Todas as palavras e intimidades


It's got to be perfect

Estou na varanda, sentada na espreguiçadeira com o portátil no colo, a observar a paisagem citadina e a contemplar o sol.
Vão à janela, inspirem o cheiro da natureza e deixem que o vosso corpo sinta a letra e a música, neste dia de sol lindo! It's go to beeeeeeee, perfect ;)


Onze Minutos de algumas páginas





Onze Minutos, foi o primeiro de três livros que li de Paulo Coelho. Gostei bastante, apesar de se notar alguma diferença no tipo de escrita e de história deste livro e dos outros que o autor escreveu. Muita gente que leu apenas este, quis ficar por aqui, porque diz que queria ficar com aquela ideia do autor, mas aconselho a ler outros livros dele, porque é nesses que se conhece a verdadeira "essência", o verdadeiro Eu-escritor do autor.
Após reler algumas páginas do livro, senti uma vontade enorme de destacar pequenos trechos que achei tão relevantes e tão "poderosos" que não consigo deixar de partilhar. E atenção, antes e depois destes que aqui deixo, há muitos outros que também valem a pena "sentir e manusear"



"Se busco o amor verdadeiro, preciso primeiro de ficar cansada dos amores medíocres que encontrei.
A pouca experiência de vida que tenho ensinou-me que ninguém é dono de nada, tudo é uma ilusão - e isso vai dos bens materiais aos bens espirituais. Quem já perdeu alguma coisa que tinha sido como garantida (algo que já me aconteceu tantas vezes), acaba por aprender que nada lhe pertence."
(pág.32)

"Eu não sou um corpo que tem uma alma, sou uma alma que tem uma parte visível, chamada corpo." (pág.75)

"Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama plenamente. E quem ama plenamente, sente-se livre. (...) Essa é a verdadeira experiência de liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem a possuir." (pág.89)

"O amor não está no outro, está dentro de nós mesmos; nós despertamo-lo. Mas para isso precisamos do outro. O Universo só faz sentido quando temos alguém com quem partilhar as nossas emoções." (pág.113)

"O desejo profundo, o desejo mais real é aquele de se aproximar de alguém. A partir daí, começam a ocorrer as reacções, o homem e a mulher entram em jogo, mas o que acontece antes - a atracção que os juntou - é impossível de explicar. É o desejo intocável, no seu estado puro.
Quando o desejo ainda está nesse estado puro, homem e mulher apaixonam-se pela vida, vivem cada momento com reverência, e conscientemente, sempre à espera do momento certo de celebrar a próxima bênção.
Pessoas assim não têm pressa, não precipitam os acontecimentos com acções inconscientes. Elas sabem que o inevitável se manifestará, que o verdadeiro encontra sempre uma forma de se mostrar. Quando chega o momento, elas não hesitam, não perdem uma oportunidade, não deixam passar nenhum momento mágico, porque respeitam a importância de cada segundo."
(pág. 129)

"Pensei muito e descobri que não entrei naquele café por acaso; os encontros mais importantes já foram combinadas pelas almas antes mesmo de os corpos se verem. Geralmente, esses encontros acontecem quando chegamos a um limite, quando precisamos de morrer e de renascer emocionalmente. (...) Todos sabem amar, pois já nasceram com esse dom. Algumas pessoas já o fazem naturalmente bem, mas a maioria tem de reaprender, relembrar como se ama, e todos - sem excepção - precisam de arder na fogueira das suas emoções passadas, reviver algumas alegrias e dres, quedas e subidas, até conseguirem ver o fio condutor que existe para trás de cada novo encontro; sim, existe um fio ali." (pág.134)


"Só nos conhecemos quando encontramos os nossos próprios limites, e isto está certo. Mas também está errado, porque não é importante conhecer tudo a respeito de nós mesmos; o ser humano não foi feito apenas para buscar a sabedoria, mas também para arar a terra, esperar a chuva, plantar o trigo, colher o grão, fazer o pão."
(pág.144)

"Quem ama não depende do acto sexual para se sentir bem. Duas pessoas que estão juntas, e que se querem bem, precisam de acertar os seus ponteiros, com paciência e perseverança, com jogos e representações teatrais, até entenderem que fazer amor é muito mais do que um encontro(...)Uma pessoa que vive intensamente a sua vida tem prazer e não sente falta de sexo. Quando faz sexo, é por abundância, porque o copo de vinho está tão cheio que transborda naturalmente, porque é absolutamente inevitável, porque ela aceita o apelo da vida porque nesse momento, apenas nesse momento, ela consegue perder o controlo." (pág.163)

"Em todas as línguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Pois eu afirmo que não há nada de mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coração estão os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer. Se estamos no exílio, queremos guardar cada pequena lembrança das nossas raízes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa na rua nos faz lembrar dela." (pág.212)

Num trilho de mil rectas, de mil curvas, consigo seguir caminhos divergentes e voltar ao mesmo destino

Estou sentada, embalada por uma leve melodia, á noite, e sinto-me tão perto do estado puro, que quase que consigo sentir-me “hipnotizada”.
Apurei tantos momentos, segui tantos caminhos, vivi tantas existências diferentes, que não consigo verbalizar tais ensejos.
Num trilho de mil rectas, de mil curvas, consigo seguir caminhos divergentes e voltar ao mesmo destino…
Preciso de percorrer um caminho que percorri tão depressa ou tão devagar, um caminho que me estava tão distante ou tão próximo, que já o tinha cursado e não o avistei.
O meu corpo e a minha alma, antes desviados, precisam de se unir tão intimamente, como se necessitassem disso para (sobre) viver.
É noite, está tudo tão calmo e a melodia é tão suave… vou deixar-me levar e sentir este momento. Já apurei tantos outros, já segui tantos caminhos, já vivi tantas existências diferentes, que agora, quero mais uma, mais um momento, mais um caminho, por isso, vou deixar-me levar por este estado tão puro.

Carta


Hoje escrevi-te uma carta (com Sebastião Antunes).mp3 - luaCustica


Eu não sabia que palavras ficariam bem naquele papel, com aquele cheiro característico e totalmente branco, sem nada escrito, aceitando qualquer palavra que eu quisesse escrever sobre ele, não rejeitando qualquer tipo de sentimento ou de emoção que surgisse sobre mim, esquecendo-me completamente, que aquele papel, mudo e surdo, apenas tinha tacto, e que apenas sentiria a profundidade (ou não) de cada palavra que eu, levemente desenhasse sobre ele...
Por falta de inspiração, de sentimento profundo, ou simplesmente, pelo facto de na altura, não conseguir desenhar as palavras mais sentidas, escrevi a carta na minha mente, e com a maior profundidade que me foi possível, na altura, "fechei-a num envelope e guardei-a no coraçao"...

Esta noite, venho falar de Amor

Esta noite venho falar de Amor sem falar, sem escrever qualquer palavra...
(Fechem os olhos e sintam a simplicidade e inocência deste amor onde parece, que um dia, o amante fomos nós... )


Balada do Desajeitado - 10. Quadrilha