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Aquele corpo, que eu já não conheço de cor



Já não conheço de cor aquele corpo.
Sei exactamente a cor da sua pele, sei exactamente o aroma do seu cheiro, sei exactamente os caminhos das suas linhas, conheço exactamente o seu toque, mas já não o conheço de cor.
Sei exactamente o que sentiu o meu corpo, que conheço de cor, quando conheceu o outro, sei exactamente a cor da minha pele, sei exactamente o aroma do meu cheiro, sei exactamente os caminhos das minhas linhas, não conheço exactamente o meu toque, mas conheço o meu corpo de cor.
Sei de cor o que esses corpos sentiam quando se encontravam, descobrindo-se um ao outro, conhecendo-se de cor, sentindo cada movimento tão pormenorizadamente, que esses mesmos corpos, inevitavelmente, se tornavam num só.
Lembro-me de olhar no espelho e observar atentamente, a junção dos dois, de dois corpos que se conhecem de cor.
Já não conheço aquele corpo mas conheço o meu corpo de cor.
Já não conheço aquele corpo, porque não o vejo, porque não o amo, mas conheço o meu corpo de cor, porque não preciso daquele corpo para o conhecer.