
Antes Da Escuridão - Mafalda Veiga

Há essencialmente duas preocupações que tenho relativamente à sociedade e que mexem imenso comigo. Não é falando apenas em duas que estou a menosprezar todas as outras causas que são inevitavelmente preocupações, mas estas duas tocam-me particularmente, mexem comigo, fazem-me pensar e conseguem deixar-me muito sensível porque, de um modo ou de outro, directa ou indirectamente, já tive contacto com elas.
Os sem-abrigo e os animais abandonados (penso sempre mais nos cães, apesar de ter a consciência que de não são os únicos)...
Gostava de fazer voluntariado para de alguma forma, contribuir para ajudar as pessoas e os animais nessas situações, mas não obtive resposta e se calhar, ainda bem, não sei se estou preparada para lidar com isso directamente, para vivenciar de forma mais profunda essas realidades.
No entanto, espero mesmo, na minha (ridícula) ingenuidade, que em ambas as situações, hajam mais pessoas que pensem nisso, que façam qualquer coisa, que sintam isso, e cada vez menos, existam aquelas que olham, que vêem, que ignoram e continuam com os seus pensamentos diários sobre tudo e mais alguma coisa, menos sobre aquilo, que é tão insignificante porque não são cães abandonados nem são sem-abrigo...
Para ambos, uma eterna lembrança e a promessa de que vou fazer sempre o que me for possível, para contribuir nem que seja, por um sorriso e por um "abanar da cauda", em ambos, pela felicidade, por mais mínima que seja.
Mafalda Veiga - Antes da escuridão
São tantas batalhas, é tão funda a dor
São tantas imagens de abandono e desamor
Há gente caída no chão
Sem ninguém que os abrace
sem ninguém que os levasse
Antes da escuridão
(...)São tantos os medos calados por dentro
Estilhaços de guerra sem luar nem vento
Cravados tão fundo no peito
Sem ninguém que os arranque
sem ninguém que estanque
O mal que foi feito
São tantos olhares de espanto vazios
E é tanto escuro e faz tanto frio
Há gente caída no chão
Sem ninguém que os abrace
sem ninguém que os levasse
Antes da escuridão

